"Se a fábrica para, não há encomendas e não entra dinheiro. É um ciclo e temos de nos manter atentos."

28.10.2026
43 anos na Adalberto. Sai de casa cedo todas as manhãs para verificar o stock, porque se o armazém para, a fábrica para.
43 Anos a Garantir que Nada Falta
Manuel Pereira entrou na Adalberto em março de 1983 e começou no departamento de tinturaria. Lá ficou até 1989, altura em que a própria Dona Noémia o convidou para passar para o armazém de químicos. Aceitou. Isso foi há 37 anos. Hoje, é ele quem garante que a fábrica tem sempre o que precisa para continuar a laborar.
"Estou na Adalberto desde março de 1983. Fui para a tinturaria e lá fiquei até 1989. Nesse ano, fui convidado pela proprietária da empresa, a Dona Noémia, para vir para o armazém de químicos. E aceitei."
Não é um Armazém Comum
Um armazém de químicos numa fábrica têxtil não tem nada a ver com um armazém normal. Há materiais que não podem ser armazenados perto uns dos outros. E, além disso, um stock que tem de ser gerido todos os dias.
"Não é um armazém comum. É um armazém de químicos, com muita responsabilidade. E, além disso, uma gestão de stock que tem de ser feita diariamente."
Para o Manuel, o verdadeiro peso é outro: as compras. Os preços mudam de um dia para o outro e, em tempos de incerteza, podem oscilar bruscamente. A arte está em saber quando comprar e quando reforçar o stock para beneficiar a empresa.
"Os stocks são bocas que comem e não produzem. Mas também é preciso ter o essencial para que a fábrica não pare."
Um Trabalho que se Leva para Casa
Uma responsabilidade destas não fica à porta da fábrica. Às vezes, o telefone toca fora do horário de trabalho. Às vezes, ele regressa para resolver um problema ou para ir buscar um produto pessoalmente.
"Sim, penso nisso. Às vezes ligam-me fora do horário de trabalho e eu venho cá resolver. É uma responsabilidade que sinto mesmo, e tento cumpri-la da melhor forma que sei."
A família também o sabe. Veem-no sair de casa cedo, antes de todos os outros, para verificar stocks e encomendas e decidir se é preciso comprar alguma coisa.
"Cada dia é uma incógnita. Há novas encomendas, novas situações. Nunca sei o que me espera."
Acompanhar as Regras
As normas químicas no setor têxtil tornaram-se muito mais exigentes nos últimos anos. Para quem está na função há mais de quatro décadas, isso significa uma adaptação constante.
"Nos últimos anos, as exigências tornaram-se muito apertadas. Na Adalberto, felizmente, recebemos formação que acompanha essas mudanças e mantemo-nos atualizados."
Quando o Armazém Para, Tudo Para
Pergunte ao Manuel se sente o peso da sua função e a resposta é imediata.
"Sim. Muito. Mesmo muito. Porque se a fábrica para, não há encomendas, não entra dinheiro. É por isso que venho cedo, para sentir o que a fábrica precisa nesse dia."
Sente também o reconhecimento dos seus colegas e da liderança da empresa, e trabalha para o merecer.
"Sinto-me reconhecido. E também trabalho para isso. Felizmente, temos um bom empregador e bons gestores que reconhecem isso todos os dias."
Três Gerações. O Gosto de Continuar a Vir.
O Manuel trabalhou sob três gerações de liderança e ao longo de três eras muito diferentes da indústria têxtil. Cada geração foi diferente, diz ele, mas sempre com o mesmo rumo.
"Cada uma diferente, mas sempre, creio eu, para melhor, e a acompanhar tempos que evoluem muito rapidamente."
Após 43 anos, o prazer continua lá.
"Sinto um prazer imenso em vir trabalhar para aqui. Se não sentisse, não teria ficado tantos anos."
Manuel Pereira trabalha na Adalberto Textile Solutions desde 1983. Veio para a tinturaria, foi convidado pela Dona Noémia para gerir o armazém de químicos e, desde então, tem mantido a fábrica abastecida.
Dentro das Máquinas é uma série de oito conversas com as pessoas por detrás da Adalberto Textile Solutions.
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