Inside the Machines Luís Cunha

"Um mínimo descuido, uma asneira e volta tudo para trás. Isso não pode acontecer."

26.06.2026

39 Anos no Acabamento e ainda a andar

Luís Cunha está na Adalberto desde 1987. Começou numa máquina antiga de abrir malha, passou para o acabamento quando chegou equipamento novo e alguém apontou para ele, e nunca mais saiu. Hoje supervisiona o último passo antes de o tecido chegar ao cliente. A etapa onde tudo se une ou se desfaz. Em 39 anos, aprendeu que a diferença entre os dois desfechos depende muitas vezes de um único toque.

Aconteceu Máquina a Máquina

Quando Luís chegou à Adalberto, puseram-no numa máquina de abrir malha. Esteve lá um ano ou dois, a aprender o que o tecido precisava e o que a máquina conseguia dar. Depois chegou uma máquina nova de acabamento e o chefe disse-lhe que ia mudar.

"Estive lá quatro, cinco anos. Depois fui convidado para ser chefe de tudo. Claro que aceitei."

Não foi um momento dramático. Foi simplesmente o passo seguinte, conquistado através de anos a aparecer, a estar atento e a fazer o trabalho bem feito. É assim, ainda hoje ao fim de 39 anos, que Luís Cunha lidera.

O Último passo é o Mais Exigente

O acabamento está no fim da linha de produção. Cada metro de tecido que passa por este departamento já percorreu a preparação, a tinturaria e a estamparia. Foi lavado, tingido e por vezes estampado. Quando chega ao acabamento, está perto da sua forma final e é aqui que se tomam as últimas decisões sobre o aspeto, o toque e o comportamento do tecido nas mãos de quem o vai usar.

Não há margem para erro nesta fase. Um erro no acabamento não tem para onde ir, a não ser de volta ao início.

"O mais importante é sempre servir bem o cliente final. Temos que fazer bem à primeira,  porque se não fizermos, os custos sobem e os atrasos nas entregas começam. Hoje em dia cumprir os prazos é tudo."

Luís começa todas as manhãs da mesma forma. Antes de mais nada, encontra o chefe de turno da noite e recebe o ponto de situação. O que correu. O que não correu. O que precisa da sua atenção. Depois começa a andar.

"Dizem que faço quilómetros aqui dentro. Não consigo ficar parado cinco ou dez minutos. Tudo tem que passar pelas minhas mãos. Sou muito perfeccionista, não posso deixar que as coisas corram mal."

O Que as Mãos Sabem

No acabamento, o controlo de qualidade é em parte técnico e em parte outra coisa, algo que vive no corpo em vez de numa ficha técnica.

O brilho verifica-se visualmente. O encarregado olha para o tecido e compara com a amostra do cliente, lendo a superfície para encontrar o nível exato de reflexo que foi aprovado. O toque verifica-se com as mãos. Há malhas que têm de quebrar, uma cedência específica, uma suavidade particular. E a única forma de saber se está certo é pegar no tecido e sentir o que ele faz.

"No brilho, olhamos para o tecido e vemos se está a dar o reflexo necessário que corresponde à amostra do cliente. No toque, há malhas que queremos que quebrem. Pegamos no tecido e sentimos se a malha quebra nas mãos. Só pondo a mão, já nos chega."

Este é um conhecimento que se acumula devagar. Não se escreve num manual nem se transmite numa formação. Constrói-se ao longo de milhares de metros de tecido, de anos a sentir o que está certo e o que não está. Luís Cunha está a construí-lo desde 1987.

Quando a Pressão Chega

O acabamento é onde a pressão de toda a linha de produção aterra. Se a tinturaria atrasou, se a estamparia teve um problema, se algo a montante demorou mais do que devia. Tudo isso chega ao acabamento comprimido, com o mesmo prazo de entrega do cliente ainda à espera do outro lado.

São estes os momentos que testam uma equipa.

"Se já houveram atrasos atrás e nós falharmos, então está tudo mal. Temos que estar concentrados, motivar o trabalhador para o problema, para o que pode acontecer se falharmos. O cliente pode não aceitar as nossas encomendas. Isso é o que não podemos deixar acontecer."

Não com pressão ou urgência apenas, mas com a clareza de quem já passou por isto antes e sabe exatamente o que tem de acontecer a seguir.

Três Gerações. Uma Constante.

Luís Cunha trabalhou sob três gerações da família que construiu a Adalberto. Conheceu a Dona Noémia: precisa, atenta a cada custo, a cada detalhe. Trabalhou pelos anos que se seguiram. E agora, com o Jorge Adalberto, vê uma empresa mudar de ritmo.

"Naquele tempo fazia-se muito em stock. O artigo era preparado e ficava guardado, pronto para quando chegassem as encomendas. Hoje um artigo entra e passado três ou quatro dias já está no cliente. É completamente diferente. E acho que a empresa está a investir e a evoluir. Temos que evoluir."

Três gerações. Três formas diferentes de gerir. A fábrica à sua volta mudou. As máquinas, o ritmo, o mercado. O que não mudou foi Luís Cunha, a percorrer o chão de fábrica todas as manhãs, a pegar num pedaço de tecido, e a sentir se está certo.

"Gosto do que faço. Por isso é que cá estou. Temos que ser felizes naquilo que fazemos, porque se trabalharmos contra gosto, de certeza que não dá."

Inside the Machines é uma série de oito conversas com as pessoas por detrás da produção da Adalberto Textile Solutions.

voltar às notícias

© 2024 Adalberto Textile Solutions. Todos os direitos reservados.